ESTRADA REAL :
Por
terem constituído, durante longo tempo, as únicas vias autorizadas de
acesso à região das reservas auríferas e diamantíferas da capitania das
Minas Gerais, os caminhos reais adquiriram, já a partir da sua abertura,
natureza oficial. A circulação de pessoas, mercadorias, ouro e diamante
era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de
lesa-majestade a abertura de novos caminhos. O interesse fiscal, base da
política metropolitana para a região mineradora da colônia, prevalecia
sobre qualquer outro: cumpria, antes de tudo, ter as rotas de
comunicação com as minas devidamente controladas e fiscalizadas, para
que nelas se pudesse extrair uma massa cada vez maior de tributos para o
tesouro real. O nome Estrada Real passou a aludir, assim, àquelas vias
que, pela sua antiguidade, importância e natureza oficial, eram
propriedade da Coroa metropolitana. Durante todo o século XVIII, e
também em parte do XIX, quando a era mineradora já se fora e os caminhos
se tornaram livres e empobrecidos, as estradas reais foram os troncos
viários principais do centro-sul do território colonial.
Ao longo dos caminhos reais espalharam-se os antigos registros, postos
fiscais de controle, alguns dos quais ainda podem ser apreciados na
atualidade. Eram de diversos tipos: registros do ouro, que fiscalizavam
o transporte do metal e cobravam o quinto; registros de entradas, que
cobravam pelo tráfego de pessoas, mercadorias e animais; registros da
Demarcação Diamantina, responsáveis pelo severo policiamento do
contrabando e pela cobrança dos direitos de entrada na zona
diamantífera; e contagens, que tributavam o trânsito de animais. Os
prédios dos registros eram instalados em locais estratégicos dos
caminhos: passagens entre serras, desfiladeiros, margens de cursos de
água. No seu interior se colocava o pessoal empregado: um administrador,
um contador, um fiel e dois ou quatro soldados. Um portão com cadeado
fechava a estrada.
As estradas reais foram, ainda, os eixos principais do intenso processo
de urbanização do centro-sul brasileiro. Ao longo do seu leito ou nas
suas margens se distribuíram as centenas de arraiais, povoados e vilas
em que se organizou a massa populacional envolvida com a economia da
mineração e com as economias a ela associadas. O povoado à beira do
caminho, com o cruzeiro, a capela, o pelourinho, o rancho de tropas, a
venda, a oficina e as casas de pau-a-pique simbolizou, durante longo
tempo, o processo de nucleação urbana do centro-sul da colônia. Povoados
e vilas típicos foram visitados e descritos pelos viajantes europeus do
século XIX, que nos deixaram páginas e páginas de notas de viagem sobre
as paisagens e os núcleos urbanos que encontraram nas suas jornadas
pelos caminhos coloniais brasileiros.
No auge da mineração, esses caminhos se viram percorridos por imigrantes
paulistas, baianos, pernambucanos e europeus; por tropeiros do sul e de
São Paulo; por boiadeiros do rio São Francisco e do rio das Velhas; por
sertanistas da Bahia e das vilas paulistas; por escravos negros e
índios; por mascates, administradores reais, homens do fisco, soldados
mercenários e milícias oficiais.
A expansão originária dos primeiros grandes caminhos do centro-sul do
território colonial conformou um dos mais significativos movimentos de
apropriação do interior brasileiro e de sua integração com a faixa
litorânea. Ampliando a base territorial da América portuguesa, as vias
hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram, assim, fundamentais na
história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território
brasileiro, tornando-se verdadeiros eixos históricos-culturais de
construção de parte da nossa história.
Texto de Márcio Santos - Pesquisador de rotas históricas, autor de
Estradas Reais: introdução ao estudo dos caminhos do ouro e do diamante
no Brasil (Belo Horizonte: Editora Estrada Real, 2001).
Durante 150 anos, a Estrada Real levou o ouro, os diamantes e as
esmeraldas de Minas para os navios atracados no litoral. Hoje, oferece
história, cultura e alternativas de lazer.
O Projeto Estrada Real nasceu para recriar e desenvolver o enorme
potencial turístico de uma região que abrange 156 cidades mineiras, sete
do Rio de Janeiro e sete de São Paulo. Isso significam 1.200Km de
história e potencial turístico.
Circuito Trilha
dos Inconfidentes
O Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes surgiu da preocupação em
manter a excelente qualidade de vida na região. A integração das várias
cidades que compõem a Trilha num só roteiro facilita, aos que a visitam,
o conhecimento dessa fascinante história da Comarca do Rio das Mortes,
onde bandeirantes, tropeiros e inconfidentes trilharam os velhos
caminhos dos índios, abriram novos e por eles sussurrando , espalharam
as idéias libertárias proclamadas na Europa do século XVIII.
Localizado no coração da Estrada Real, esse centro geográfico do Brasil
foi palco dos mais importantes acontecimentos de sua História (da nossa
História). Por estas trilhas passaram não apenas o ouro e outras
riquezas das Minas para o litoral, mas também por elas chegavam a
família Real com suas comitivas e as novidades da metrópole. Suas
cidades guardam igrejas, casas, monumentos, ruínas que evocam um passado
repleto de histórias e vultos. Essa região é a terra do Alferes
Tiradentes, de Bárbara Eliodora, do Presidente Tancredo Neves e outros
como o Padre Toledo, um dos mentores da Conjuração Mineira.
Este destino turístico é formado por um conjunto de cidades que possuem
um dos mais representativos patrimônios culturais, artísticos e
históricos de Minas Gerais. Os bandeirantes abriram as primeiras
trilhas, os inconfidentes traçaram os caminhos da soberania nacional, os
artistas desenharam o barroco e os tropeiros, em andadura lenta, fixaram
hábitos de hospitalidade.
Este circuito possui além de uma localização estratégica uma vasta
tradição cultural onde as manifestações gastronômicas são referência
nacional, com a predominância da autêntica e saborosa comida mineira e
onde estão localizados os mais tradicionais e antigos engenhos de
cachaça do Brasil. A culinária típica da região satisfaz aos mais
exigentes paladares. A gastronomia é cultivada com o carinho dos que
valorizam suas tradições: doces, queijos, quitandas e cachaças da melhor
qualidade são facilmente encontrados nos inúmeros restaurantes,
cafeterias, bares e similares.
Para quem aprecia a erudição e a cultura, o ambiente é o mais adequado.
As artes fazem parte da cultura local, com inúmeros artistas
desenvolvendo e expondo seus trabalhos em escultura, pintura e música. O
artesanato é de grande versatilidade, preserva a identidade de sua gente
e transforma o utilitário em belas obras de arte.
A região oferece ainda cavalgadas e caminhadas pelas trilhas
centenárias, lugares apropriados para o esporte radical e de aventura,
como escaladas em montanhas, descidas pelas corredeiras dos rios, etc...
Há grutas e pinturas rupestres a serem exploradas pelos mais ousados.
Na Trilha dos Inconfidentes, caminhos da liberdade você também encontra
tranqüilidade e sossego. Aos domingos nas cidades mais antigas, pode- se
ouvir a música sacra do século XVIII executadas nas Igrejas por
centenárias e famosas orquestras.
O clima é temperado, as chuvas bem distribuídas e faz bastante frio no
inverno. As cidades possuem água tratada, isenta de poluição. Na zona
rural, as fazendas centenárias oferecem refúgios tranqüilos onde a
arquitetura do século XVIII se manifesta e sua agricultura de
subsistência fornece alimentos isentos de agrotóxicos e os lazeres
típicos do turismo rural e Ecoturismo.
Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, venha conhecê-lo e a magia
de Minas o encantará...
Texto de Cida Chaves
Para maiores informações:
www.estradareal.org.br
Clique
aqui para ver o mapa da Estrada Real
(MAPA EM FORMATO PDF CLIQUE
ABAIXO PARA DOWNLOAD DO LEITOR ) :
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